Dentre os espaços com que sonho seguidas vezes, há o da Prainha.
São geradores eólicos em uma restinga. Uma ponta de areia sem fim e mais além um outro mundo que só lembro de ter alcançado em dois sonhos. Num deles chegava em um campo no sul, com plantações de arroz. Noutro era areia, vento e mar feroz.
Linha de areia sem fim, ponta além da qual é além. Mucuripe, Prainha, Rio Grande, Dinamarca. Plantas eólias, por vez nem isso. Sobretudo Prainha, os geradores girando, a restinga.
Quanto ao caminho, cada vez é diferente: rodeiam salinas, às vezes barracos, ou é só a estrada sem mais. O que não muda é o mais adiante, a ponta nem sempre alcançada, mas sempre ali mais adiante, o mar violento, o vento, e depois algum começo de outra vida.
Dessa vez era uma ciclovia com dois corpos carbonizados. Cobertos de palhas trançadas, sudários indígenas, algo manipuera. Um casal.
De repente vinha um casal de longe, fazendo jogging. O velhinho parava diante dos corpos sem parar de se exercitar, e dizia como se não fosse nada: "olha só, carbonizaram para fingir que foi um raio".