Maara caminha sobre os tanques de Itapipoca. Banha-se em um dos tanques. Tira de dentro da água um fóssil de peixe, um chifre de elefante, uma carcaça de boi. Conversa com os fósseis. Eles lhe falam de acontecimentos galáticos. Antes do humano, antes dos animais, antes das bactérias. Do extremo calor e do extremo frio. Da guerra entre os elementos. De fenômenos atmosféricos. De que os deuses são como pedras. De que devem ser alimentados com sangue. Ela derrama de uma pequena garrafa de plático um pouco de sangue sobre os fósseis. Uma voz over que sussura, científica, fala de outras eras geológicas. Os mamíferos apareceram pela primeira vez no Período Triássico, um pouco depois dos primeiros dinossauros. Eles são produto de uma linhagem de vertebrados conhecida como Synapsida, que se separou dos Sauropsida (linhagem que deu origem às tartarugas, lagartos, aves, etc) há aproximadamente 300 milhões de anos, no Carbonífero. No final Triássico (cerca de 210 Ma), os Cynodontia, um grupo avançado de Synapsida, que apresentava um mosaico de características reptilianas e mamaliformes, deram origem aos mamíferos. Marsupialia, Xenarthra, Artiodactyla, Perissodactyla, Proboscidea e Carnivora. Fósseis pleistocênicos, principalmente de mamíferos, são muito comuns na região Nordeste brasileira e, devido ao seu grande tamanho, são também conhecidos como "megafauna pleistocênica". São mais comumente encontrados em cavernas e tanques, que são depressões naturais em rochas do embasamento cristalino. Maara agradece pela informação. E volta a dormir encostando a cabeça em um travesseiro de ictiólito.