Dizem os dióscuros que os raciocínios, entendimentos, memórias, imaginações, devaneios, fantasmas, possuem forma de círculos, quadrados e triângulos, movimentando-se no interior de um espaço circular.
Por ser circular, tal espaço nunca é de todo ocupado, sendo necessário proceder em uma organização meticulosa da matéria pensante, para que se dê uma boa utilizância do espaço limitado de estocagem. Ou então, que se produza pensamentos cada vez menores, ocupando os interstícios, e os interstícios dos interstícios.
Pensamentos clarividentes são como raios. Dizem os dióscuros que possuem formas perfeitas na interioridade do círculo e que podem aparecer na mente como os raios no céu. Outros dizem que a clarividência se manifesta em realidade nos intervalos entre as formas geométricas, possuindo a forma de dragões. Que portanto os intervalos é que são os raios. Outros dizem que são astros de cometa, que descem destruindo as formas.
Há portanto uma teoria de que os interstícios [e os interstícios dos interstícios] é que são de fato a matéria pensante e não os círculos, quadrados e triângulos.
Se há pensamentos clarividentes, formas… De outro lado há narrativas que dizem existir monstros formados pelas geometrias perfeitas. Mas estas mesmas narrativas seriam constituídas elas próprias pelas formas narradas e assim por diante.
Desta teoria surgiu a suposição de que os círculos pensantes são na realidade espelhados. E neste espelhamento sucessivo formam cilindros.
Outros se referem a uma esfera do pensamento, a partir de uma dimensão de espelhos deformantes.
Outros ainda se referem a um cone do pensamento, referindo-se à perda de intensidade da matéria pensante em cada reflexão, do maior ao menor círculo do pensamento, que seria como um ponto.
Mas a sociedade dos pensantes continuaram desenvolvendo mais longe a teoria do cilindro.
Por ser uma forma topologicamente perfeita, capaz de produzir muitas outras formas, como a de um pneu (que possui a vantagem de repetir-se e girar). A de um portal. De onde surgiram muitas outras elocubrações.
Finalmente, surgiu a teoria de que tal cilindro da matéria pensante viajaria no espaço.
Alguns dizem que tal cilindro forma ondas. Ondas de não-matéria pensante, capazes de alterar o próprio espaço em que o pensamento penetra. Ou pelo qual viaja.
O cilindro produziria decalagens de movimento. De forma que se move de forma esguia, em curvas, no espaço.
Diante de tais entendimentos, místicos passaram a chamar o cilindro do pensamento como um peixe. Peixe que nada no vazio sideral.
Seria este o peixe da consciência um vazio sideral de amplitude imensurável, da alma coletiva.
Neste vazio dizem vagar formas que se desprendem do cilindro. Que fora do círculo pensante tornam-se perfeitas, únicas. São estas formas de pensamento puro os deuses.
Tais formas puras serviriam de guias para o peixe da consciência em sua viagem pelo espaço vazio. De forma que são o estático, servindo como faróis. Como cheiros. Como prenúncios. São os futuros possíveis.
Pensamentos inteiros por momentos tentam reproduzir na interioridade do círculo tais formas vislumbradas no vazio sideral. Que são na realidade oriundas da própria interioridade. E dela escaparam.
Triângulos. Círculos. Quadrados… Sistemas… Pirâmides…
Uma destas formas é o triângulo. Que Pode ser o de um nariz.
Um nariz é tido como a forma de equilíbrio no corpo. Um centro. Outro centro seria o dos órgãos genitais.
Um nariz perfeito é como um deus.
O nariz de Cleópatra !
Pitágoras teoria dos números. Os números eles mesmos formam objetos. Como há números perfeitos, há objetos perfeitos.
Tais números e objetos habitam o vazio. Mas podem também vir a conjugar-se.
Assim, 3 + 2 = 5. Ou seja, homem mais mulher = casamento. O 5 como número da união.
Do mesmo modo o triângulo representa o masculino e o quadrado o feminino. Ou seria o círculo ?
Evitar as favas. Alimentar-se de alfaces !
Se o nariz de Cleópatra possuísse outro formato, o mundo teria sido diferente.
Outras formas são como abortos arquitetônicos.